Trump eleva limite de refugiados nos EUA para admitir mais sul-africanos brancos
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aumentou terça-feira o número limite de refugiados do país para permitir que entrem mais 10.000 pessoas que, segundo disse, devem ser os africânderes da África do Sul.
Com esta decisão, a Casa Branca reconfirma o argumento que tem defendido há meses de que a minoria branca da África do Sul sofre "violência por motivos raciais".
Após regressar à presidência dos EUA, em janeiro de 2025, Trump congelou a admissão de refugiados nos Estados Unidos, embora pouco depois tenha aprovado um programa específico para acolher sul-africanos brancos.
A decisão de hoje consolida a política migratória desta administração republicana, que prioriza os refugiados de um único país, em detrimento dos critérios habituais do direito internacional, não vinculados a um local, mas às condições de vida.
Isto gerou críticas de organismos internacionais de direitos humanos.
O Governo de Trump reduziu o limite anual de admissão de refugiados a 7.500 pessoas, o mais baixo da história do programa, após os 150.000 que estavam autorizados durante a administração do anterior presidente democrata Joe Biden.
Deste limite de 7.500 refugiados para 2026, foram admitidas aproximadamente 1.651 pessoas, ou seja, cerca de 22% do total autorizado, segundo dados oficiais.
Em maio do ano passado, Trump e o presidente da África do Sul tiveram um encontro tenso na Casa Branca, precisamente por causa do suposto "genocídio branco" ao qual Washington aponta.
Pretória defendia que a decisão de conceder a categoria de refugiado a africânderes por este motivo ignora a "profunda ferida histórica do `apartheid` e nega o contexto de desigualdade estrutural que ainda persiste" no país.